• Evanio Magalhães

Hanukká e a luz do Messias.

A festa de Hanukká não faz parte das sete festas fixas determinadas por Deus na Torá, sua instituição se dá muitos séculos à frente de Moisés. Ela remonta aos dias dos Macabeus, e a sua vitória contra o império selêucida.


Os dias que são rememorados em Hanukká são dias muito sombrios. Antioco Epfânio havia invadido Jerusalém, proibido os judeus de ler a Torá, de praticar a circuncisão e as festas. Ele próprio colocou uma estátua de Zeus no Templo de Jerusalém e profanou o altar com um sacrifício de um porco.


A cultura helenista, baseada no pensamento grego, era imposta como obrigatória a todo o povo judeu. Havia muitos que estavam se deixando seduzir pelas filosofias, aderindo à nova cultura, enquanto muitos outros eram oprimidos por sua fé, e decisão de servir à Deus.


Os oficiais gregos passaram a ir de cidade em cidade obrigando os judeus a ajoelharem diante de Zeus, e a comer carne de porco. Matattiahu, Sumo Sacerdote que havia se refugiado na cidade de Moddi, não aceitou a afronta, e quando viu um aldeão judeu se dispondo a obedecer ao oficial grego, sacou de sua espada e matou o aldeão e o oficial. Assim, com Matattiahu e seus filhos, começou a revolta judaica que culminou com a libertação de Jerusalém e Israel do domínio selêucida.


Um exército formado por sacerdotes, levitas e aldeões se juntaram nos desertos da Judéia, e com o poder de Deus agindo sobre eles, expulsaram de suas terras o exército mais poderoso da terra naquele tempo.


Diz a tradição que, após a libertação de Jerusalém, os judeus vitoriosos se dispuseram a purificar o Templo e dedicá-lo novamente ao culto à Deus. Foi neste momento em que foi verificado a existência de apenas um frasco de azeite puro, com o selo do Sumo Sacerdote, o que estaria apto para abastecer as lâmpadas da Menorah por apenas um dia. O tempo para produção de novo azeite especial como aquele era de oito dias.


Mesmo sem ter o óleo suficiente, eles decidiram dedicar o Templo, ascendendo a Menorah. Milagrosamente, no dia seguinte, o azeite no frasco foi multiplicado, abastecendo a Menorah dia após dia, até que novos azeites especiais pudessem ser produzidos.


Diante deste milagre, e da libertação igualmente milagrosa, os judeus estabeleceram a festa de Hanukká, que significa “dedicação”, me memória a estes feitos. Nesta festa, em cada casa, os judeus passaram a acender a Hanukkia, um castiçal de nove braços, onde a lâmpada principal é chamada de Shamash, e cuja flâmula é usada para acender os demais braços, sendo um braço a cada dia da festa. No oitavo dia de Hanukká, a Hanukkia é totalmente acesa com suas nove lâmpadas.


A única referência na Bíblia que temos desta festa está no Novo Testamento, na passagem de João 10:22. Nesta passagem Yeshua estava no Templo em Jerusalém nos dias de Hanukká, quando foi abordado por alguns da liderança judaica, questionando-o a dizer se ele era realmente o Messias. Yeshua foi categórico ao afirmar que ele já o havia dito, mas aqueles líderes não criam nele, embora as obras de Yeshua testificavam a respeito de que ele era o Messias.


Em seguida Yeshua diz:


“Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.” João 10:26-28.


É muito significativo que Yeshua tenha pronunciado essas palavras justamente na festa de Hanukká. A festa de Hanukká é um memorial dos milagres de Deus junto ao seu povo, e seu apelo principal é justamente a fé no milagre. Uma das bênçãos pronunciada nos dias de Hanukká é:


ברוך אתה יי אלהינו מלך העולם שעשה נסים לאבותינו בימים ההם בזמן הזה

Baruch atá Adonai, eloheinu melech haolam, sheassá nissim laavotênu, bayamim hahêm, bizman hazê.

Bendito sejas tú, Adonai, nosso D’us, Rei do Universo, que fez milagres para nossos antepassados, naqueles dias, nesta época.



Esse enfoque no milagre nos dias de Hanukká, juntamente com as palavras pronunciadas por Yeshua durante a festa de Hanukká, nos remetem a um importante ensino. Aqueles que ouvem a voz de Deus, que creem no seu Messias, que andam de acordo com sua doutrina, estes estão nas mãos do Messias, e ninguém poderá tirá-los de lá.


Muitas vezes somos abatidos por tribulações e lutas. Muitas vezes nos sentimos desamparados e ansiosos. Mas as palavras de Yeshua nos remete que nossa vida está em suas mãos. Ele é o Rei que está no comando de toda a nossa história. Crer em milagre não é apenas uma opção, mas é a realidade que deve estar estampada em nossa mente.

Albert Einstein, judeu, e profundamente marcado pela cultura judaica, e conhecendo a história de Hanukká, diante de um mundo lógico e frio declarou: “Há duas formas de viver a sua vida: Uma é acreditar que não existem milagres. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre”.


A Menorah, objeto principal da celebração de Hanukká, era um candelabro de sete braços que ficava no interior do Templo. Ela tipifica a Luz do Messias, e a presença dos sete Espíritos de Deus (Isaías 11:2) que ungirá o Messias.


João declara que Yeshua é a Luz do mundo. E, da mesma forma como a luz do Shamash é usada para acender as demais lâmpadas da Hanukkia, assim cremos que nossa luz vem de Yeshua. É dele que vem o Espírito de Deus sobre nossas vidas, produzindo em nós seus bons frutos (Gl. 5:22). Cremos que é nele que temos o Novo Nascimento, e acesso à Nova Aliança, que é a única Aliança que trás a promessa de perdão dos pecados e conhecimento pleno de Deus (Jr. 31:31-34).


Portanto, mais do que um milagre feito aos antepassados, confiamos no Milagre de Yeshua em nossas vidas hoje e sempre. Isso deve nos fortalecer a viver uma vida de dedicação à Deus, em obediência a seus mandamentos, confiando sempre que diante das adversidades, o milagre sempre acontecerá.


O Eterno nos abençoe.

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